quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Rivalidade ao extremo


Rivalidade é igual em qualquer lugar.
E, como em toda a rivalidade, muitas vezes alguns atos superam os limites do racional.
O Atlético de Madrid demitiu seu fisioterapeuta porque este, após o clássico do último final de semana contra o Real Madrid, pediu a camisa do goleiro Iker Casillas (foto com a camisa amarela nas mãos).
Dirigentes do clube do Vicente Calderón consideraram o gesto uma falta de respeito não só com os profissionais que trabalham no clube como com os torcedores.
Já acompanhei várias vezes jogadores da dupla Gre-Nal trocarem as camisas após um clássico.
Bom, talvez com atletas que passam de clube em clube haja mais condescendência.
Até porque, realmente, nunca vi um funcionário fazer isso.
Vou fazer o teste no próximo Gre-Nal.

Fonte: Marca - ESP

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Grêmio Campeão da América - vídeo oficial

Produzi este vídeo para o Consulado do Grêmio na cidade de Santa Maria.
Foi apresentado mês passado durante a festa dos 25 anos da conquista da primeira Copa Libertadores da América em 83.
Levou mais ou menos uma tarde de trabalho.
Mais tempo para selecionar as imagens do que para montar.
Mostra todos os gols do Grêmio naquela competição na ordem em que as partidas foram realizadas.
Ou melhor, mostra quase todos os gols já que não existem registros de dois gols do Grêmio marcados contra o Flamengo, no Maracanã, na vitória por 3 a 1 no último jogo da fase de classificação.
Não existem imagens destes gols.
Mas não importa.
Um dia eu consigo encontrar.

Mas o que mais deu trabalho foi fazer a edição na música já que ela terminava antes das imagens dos gols. Tive que fazer um corte e juntar com outra parte pra aumentar a duração.
Acho que se prestar a atenção, dá pra descobrir onde é.

Declaração de amor ao jornalismo

Ninguém aprende a ser jornalista fazendo uma universidade.
O jornalismo está no sangue.
Já nasce com a pessoa.
O instinto da comunicação.
A busca da informação, do conhecimento.
A ânsia de aprender e passar adiante da melhor maneira possível.
Muitos nascem com o dom, mas acabam seguindo outras carreiras.
Outros acabam cedendo.
A universidade apenas ensina o caminho das pedras.
Serve para lapidar e direcionar o profissional à área escolhida.
O jornalismo de hoje já não mais como antigamente.
Não existe mais o romantismo de outrora e o glamour que fazia do jornalismo uma profissão respeitada e conceituada.
Hoje qualquer um é jornalista.
Mesmo aqueles que não nasceram pra isso.
Qualquer um escreve sobre qualquer coisa, em qualquer lugar e da forma que desejar.
É a massificação da informação e a necessidade do imediatismo.
Culpa da globalização? Da internet?
Até pode ser.
Agora, cabe ao bom jornalista saber decidir qual caminho seguir.
Sei que, às vezes, não há muita opção e o bom jornalista, mesmo conhecedor das normas e da ética profissional, acaba abrindo mão dos ensinamentos básicos da profissão em detrimento da exigência do mercado.
Não se pode criticar.
Mas a verdade é que a globalização está aí.
A internet está aí.
Com seus prós e contras.
É nossa obrigação saber usufruir dos prós e descartar os contras.
Para que o verdadeiro jornalismo de caráter possa prevalecer sobre a ganância, a maldade e o simplório.
Os maus profissionais estão aí, como em todas as profissões.
E só me resta lamentar ao vê-los sucumbir à mediocridade.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Mea Culpa

- Jornalista é uma raça triste. Todos uns urubus.
A frase é de uma conhecida minha que tem todos os motivos para achar isso.
Confesso que não discordo totalmente dela.
Às vezes (pra não dizer quase sempre) os jornalistas são um pouco inconvenientes.
Já me peguei várias vezes questionando atitudes que eu mesmo tomei em prol do jornalismo deixando de lado alguns ensinamentos éticos e humanos aprendidos com meus pais ou na escola.
Cansei de discutir com o professor de Ética na faculdade sobre certos temas realmente controversos e que tem a ver com a minha profissão.
Em 1993 o fotógrafo sul-africano Kevin Carter ganhou diversos prêmios fotografando crianças do Sudão agonizando de fome com alguns urubus à espreita esperando para almoçar.
Parabéns ao fotógrafo, mas não seria mais humano ajudar aquelas crianças de alguma forma ao invés de empunhar uma máquina fotográfica para registrar aquele momento surreal para os dias de hoje?
Talvez esse pensamento deva ter vindo à mente do fotógrafo antes de se suicidar meses depois.
Há dois anos atrás travei uma discussão interminável por telefone com uma editora de Zero Hora que publicou em sua contra-capa uma foto de um carro incendiando depois de um acidente na Wenceslau Escobar.
Não fosse um amigo meu de infância que estivesse morrendo queimado naquele momento, talvez até tivesse passado batido a falta de compaixão de uma pessoa que se preocupa em buscar uma câmera fotográfica para registrar. Talvez tendo em mente: “Puxa, posso ganhar uma grana vendendo a foto pra Zero Hora”.
E o meu amigo que tava lá dentro sendo consumido pelas chamas?
Não questionei a Zero Hora por ter publicado a foto mas sim por, talvez inconscientemente, incentivar o desrespeito com o sofrimento alheio.
Me lembrei disso ao ver no site do Terra de hoje a foto de um casebre sendo tomado pelas chamas enquanto cinco crianças morriam.
Devo parabenizar o fotógrafo por sua competência profissional ao registrar o momento?
Acho que essa frieza típica do jornalista me falta, às vezes.

Que bom.

Texto publicado em 01.11.2006