sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Juarez Teixeira: o "Leão do Olímpico"



Ninguém diz que aquele senhor de 80 anos sentado nas sociais do Olímpico foi um dos maiores goleadores da história do Grêmio.
Olhar distante, observa o gramado do Olímpico enquanto dezenas de crianças que visitam o estádio correm de cima a baixo das arquibancadas.
Sereno, mostrou-se surpreso ao ser abordado pela reportagem da Grêmio.Net.
Juarez Teixeira, o “Leão do Olímpico”, habitualmente visita o local onde, durante sete anos, deixou seu sangue e suor conquistando o respeito e a admiração dos torcedores.
Perguntado sobre o motivo da visita, disse que havia deixado a mulher na manicure e decidiu passar o tempo no Olímpico.
Questionado sobre as lembranças do tempo em que atuou como jogador tricolor (de 1955 a 1962), Juarez sorri: “estou pensando em toda a transformação que o Olímpico viveu nestes anos todos. Até a grama é diferente. O Grêmio evoluiu muito como Clube. Olha só pra essa criançada que vem de longe só pra conhecer o estádio. Isso é ótimo!”.
Sobre um dos momentos mais marcantes que viveu com a camisa do Grêmio, o “Tanque” se transporta para o distante ano de 1955: “não esqueço de meu primeiro Gre-Nal aqui no Olímpico. Nosso time vinha fazendo uma campanha irrepreensível até chegar na hora do clássico. Na manhã daquele dia, encontramos um grupo de torcedores na capela do Olímpico. Eles estavam apreensivos. Um rapaz chegou pra mim e disse: “hoje nós não vamos passar”. Então eu quis saber o motivo e ele respondeu que já estava acostumado a ganhar todas as partidas mas perder o clássico. Olhei pra ele e disse que dessa vez ia ser diferente. Com a bola rolando saímos perdendo de 1 a 0, mas viramos no final. Não em esqueço daquele rapaz”.
Sobre seus companheiros de equipe, Juarez é cauteloso quando perguntado qual era o melhor: “não posso cometer injustiças. Aquele time de 55 a 60 não tinha estrelas. O destaque era o próprio time” desconversa.
Apesar do tempo, Juarez ainda goza de muito prestígio junto aos torcedores gremistas. Dificilmente consegue circular no anonimato pelas ruas de Porto Alegre: “o pessoal ainda me reconhece. Isso é gratificante e surpreendente. Às vezes sou abordado por jovens de 17 ou 18 anos. Como podem me conhecer? Então me dizem que foi o pai quem contou minha história pra eles. Isso prova que algo a gente fez de bom”, emociona-se.
Conselheiro do Clube desde 1982 e com os pés eternizados na Calçada da Fama do Olímpico, Juarez Teixeira segue acompanhando o dia-a-dia do Tricolor e ainda acredita no título do Brasileirão: “existe grande expectativa. O Grêmio está sendo surpreendente”, comentou.
Sobre o futuro do Clube na Libertadores de 2009, o ex-jogador alerta: “Precisamos melhorar para chegarmos bem na Libertadores. Temos que superar as dificuldades financeiras e reforçar o time”.
Palavra de quem já esteve lá dentro e, até hoje, é chamado de “Leão do Olímpico”.

FICHA:

Nome: Juarez Teixeira
Apelidos: Leão do Olímpico e Tanque
Nascimento: 20/09/1928
Local: Blumenau/SC
Período no Grêmio: 1955 a 1962
Posição: centroavante
Estréia: 31/03/1955 – Grêmio 7 x 0 Seleção de Paysandu (URU)
Despedida: 16/12/1962 – Grêmio 2 x 0 Internacional
Títulos:
1956 a 1960 – Pentacampeão da Cidade
1956 a 1960 – Pentacampeão Gaúcho
1961 – Campeão do Troféu Internacional de Atenas (GRE)
1962 – Campeão do Troféu Internacional de Salônica (GRE)
1962 – Supercampeão Gaúcho e Campeão Sul-Brasileiro Invicto

Seleção Brasileira:
Campeão Pan-Americano

Carreira:
Palmeiras de Blumenau/SC
Jabaquara de Santos/SP
Ferroviário de Curitiba/PR
Joinville/SC
Caxias/RS
Grêmio
Newell´s Old Boys (ARG)
Grêmio Bagé/RS


Matéria publicada no site do Grêmio.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Arthur Dallegrave - 1930+2008


É raro, mas existem aquelas pessoas que são unanimidades, independente da rivalidade existente entre Grêmio e Internacional.
É o caso do ex-presidente do Internacional, Arthur Dallegrave, falecido na tarde de hoje.
Tanto foi assim, que sempre foi recebido de forma cordial e respeitosa em diversos aniversários do Grêmio. Sua educação e fidalguia faziam com que fosse sempre o representante do Internacional nos eventos gremistas.
Tive o prazer de escutá-lo durante a festa de aniversário do Grêmio no ano passado.
Fará falta para o nosso co-irmão.

Muchas gracias


Já imaginou uma partida de futebol onde Tarciso recebe lançamento na direita e passa em velocidade por Schiavi, mas perde a bola para Rivarola?
Ou onde Sabella lança Aguirregaray que é derrubado violentamente pelo volante Dinho na entrada da área?
Pois é.
Esse relato quase que surreal para aqueles que conhecem um pouco de futebol se tornou realidade no Olímpico Monumental.
Como está habituado a fazer todos os anos, o jornalista João Bosco Vaz, atual Secretário Municipal de Esporte e Lazer, está reunindo antigos jogadores (e nem tão antigos assim) em seu tradicional Encontro do Esporte, que será realizado na noite desta segunda-feira. Desta vez, o tema fica por conta dos estrangeiros que atuaram em Porto Alegre.
Na carona desta iniciativa, o Grêmio reuniu todos estes jogadores que já atuaram com a camisa do Clube em uma partida amistosa, no gramado suplementar, contra a equipe de veteranos, que contou com Ademir Maria, Dinho, Tarciso, João Antônio entre outros.
Mas não foram só gremistas: jogaram também nomes como Aguirregaray, Brittez, Diego Aguirre e Letelier, que atuaram pelo Internacional.
Tive o prazer de rever jogadores que marcaram época como Schiavi, Maidana, Trasante, Rivarola, Arce, Astengo, Chamaco, Oberti, Cardaccio, Ancheta e Sabella. Além do argentino Herrera, atualmente jogando pelo Corinthians.
Foi realmente um momento histórico e que, provavelmente, jamais voltará a ocorrer.

Lamentar apenas a ausência talvez do maior estrangeiro que já vestiu a camisa Tricolor: Hugo de León.
Fez falta.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Rivalidade ao extremo


Rivalidade é igual em qualquer lugar.
E, como em toda a rivalidade, muitas vezes alguns atos superam os limites do racional.
O Atlético de Madrid demitiu seu fisioterapeuta porque este, após o clássico do último final de semana contra o Real Madrid, pediu a camisa do goleiro Iker Casillas (foto com a camisa amarela nas mãos).
Dirigentes do clube do Vicente Calderón consideraram o gesto uma falta de respeito não só com os profissionais que trabalham no clube como com os torcedores.
Já acompanhei várias vezes jogadores da dupla Gre-Nal trocarem as camisas após um clássico.
Bom, talvez com atletas que passam de clube em clube haja mais condescendência.
Até porque, realmente, nunca vi um funcionário fazer isso.
Vou fazer o teste no próximo Gre-Nal.

Fonte: Marca - ESP

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Grêmio Campeão da América - vídeo oficial

Produzi este vídeo para o Consulado do Grêmio na cidade de Santa Maria.
Foi apresentado mês passado durante a festa dos 25 anos da conquista da primeira Copa Libertadores da América em 83.
Levou mais ou menos uma tarde de trabalho.
Mais tempo para selecionar as imagens do que para montar.
Mostra todos os gols do Grêmio naquela competição na ordem em que as partidas foram realizadas.
Ou melhor, mostra quase todos os gols já que não existem registros de dois gols do Grêmio marcados contra o Flamengo, no Maracanã, na vitória por 3 a 1 no último jogo da fase de classificação.
Não existem imagens destes gols.
Mas não importa.
Um dia eu consigo encontrar.

Mas o que mais deu trabalho foi fazer a edição na música já que ela terminava antes das imagens dos gols. Tive que fazer um corte e juntar com outra parte pra aumentar a duração.
Acho que se prestar a atenção, dá pra descobrir onde é.

Declaração de amor ao jornalismo

Ninguém aprende a ser jornalista fazendo uma universidade.
O jornalismo está no sangue.
Já nasce com a pessoa.
O instinto da comunicação.
A busca da informação, do conhecimento.
A ânsia de aprender e passar adiante da melhor maneira possível.
Muitos nascem com o dom, mas acabam seguindo outras carreiras.
Outros acabam cedendo.
A universidade apenas ensina o caminho das pedras.
Serve para lapidar e direcionar o profissional à área escolhida.
O jornalismo de hoje já não mais como antigamente.
Não existe mais o romantismo de outrora e o glamour que fazia do jornalismo uma profissão respeitada e conceituada.
Hoje qualquer um é jornalista.
Mesmo aqueles que não nasceram pra isso.
Qualquer um escreve sobre qualquer coisa, em qualquer lugar e da forma que desejar.
É a massificação da informação e a necessidade do imediatismo.
Culpa da globalização? Da internet?
Até pode ser.
Agora, cabe ao bom jornalista saber decidir qual caminho seguir.
Sei que, às vezes, não há muita opção e o bom jornalista, mesmo conhecedor das normas e da ética profissional, acaba abrindo mão dos ensinamentos básicos da profissão em detrimento da exigência do mercado.
Não se pode criticar.
Mas a verdade é que a globalização está aí.
A internet está aí.
Com seus prós e contras.
É nossa obrigação saber usufruir dos prós e descartar os contras.
Para que o verdadeiro jornalismo de caráter possa prevalecer sobre a ganância, a maldade e o simplório.
Os maus profissionais estão aí, como em todas as profissões.
E só me resta lamentar ao vê-los sucumbir à mediocridade.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Mea Culpa

- Jornalista é uma raça triste. Todos uns urubus.
A frase é de uma conhecida minha que tem todos os motivos para achar isso.
Confesso que não discordo totalmente dela.
Às vezes (pra não dizer quase sempre) os jornalistas são um pouco inconvenientes.
Já me peguei várias vezes questionando atitudes que eu mesmo tomei em prol do jornalismo deixando de lado alguns ensinamentos éticos e humanos aprendidos com meus pais ou na escola.
Cansei de discutir com o professor de Ética na faculdade sobre certos temas realmente controversos e que tem a ver com a minha profissão.
Em 1993 o fotógrafo sul-africano Kevin Carter ganhou diversos prêmios fotografando crianças do Sudão agonizando de fome com alguns urubus à espreita esperando para almoçar.
Parabéns ao fotógrafo, mas não seria mais humano ajudar aquelas crianças de alguma forma ao invés de empunhar uma máquina fotográfica para registrar aquele momento surreal para os dias de hoje?
Talvez esse pensamento deva ter vindo à mente do fotógrafo antes de se suicidar meses depois.
Há dois anos atrás travei uma discussão interminável por telefone com uma editora de Zero Hora que publicou em sua contra-capa uma foto de um carro incendiando depois de um acidente na Wenceslau Escobar.
Não fosse um amigo meu de infância que estivesse morrendo queimado naquele momento, talvez até tivesse passado batido a falta de compaixão de uma pessoa que se preocupa em buscar uma câmera fotográfica para registrar. Talvez tendo em mente: “Puxa, posso ganhar uma grana vendendo a foto pra Zero Hora”.
E o meu amigo que tava lá dentro sendo consumido pelas chamas?
Não questionei a Zero Hora por ter publicado a foto mas sim por, talvez inconscientemente, incentivar o desrespeito com o sofrimento alheio.
Me lembrei disso ao ver no site do Terra de hoje a foto de um casebre sendo tomado pelas chamas enquanto cinco crianças morriam.
Devo parabenizar o fotógrafo por sua competência profissional ao registrar o momento?
Acho que essa frieza típica do jornalista me falta, às vezes.

Que bom.

Texto publicado em 01.11.2006